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O Departamento de Química da UFMG promove, de 02 a 04/04/2014 no auditório Aluísio Pimenta, uma série de seminários em Cristalografia, em que apresenta algumas de suas contribuições para o desenvolvimento dessa Ciência no Estado de Minas Gerais, no contexto do ano Internacional da Cristalografia.

Cristalografia é a Ciência que estuda as estruturas moleculares e as interações intermoleculares de substâncias que apresentam cristalinidade, caracterizada pela presença de algum ordenamento periódico de seus constituintes.  Sua área de abrangência é muito extensa, e envolve problemas Biológicos, Físicos, Geológicos e Químicos, por exemplo. Contribuições importantes da Cristalografia para a Ciência incluem o uso de resultados cristalográficos no desenvolvimento da Teoria da Ligação Química por Linus Pauling e a descrição da estrutura do DNA por Watson e Crick, que possibilitou o desenvolvimento da Biologia Molecular.  O reconhecimento científico da Cristalografia se expressa nos 29  Prêmios Nobel recebidos por trabalhos em Cristalografia, nas áreas de Física, Fisiologia ou Medicina, e Química. Reconhecendo a importância dessa Ciência, a Organização das Nações Unidas estabeleceu 2014 o Ano Internacional da Cristalografia, em que comemora o centenário da difração de raios X e os 400 anos da observação da forma simétrica de cristais de gelo, em 1611, por Kepler, marco inicial do amplo estudo de simetria na matéria.

Programação:

Dia 02/04 – Quarta Feira

14:00 H – Abertura do encontro – A Cristalografia e a UFMG: passado, presente e futuro
Prof. Nelson Gonçalves Fernandes – Universidade Federal de Minas Gerais

14:30 H – Cristalografia Química: Ligações de Hidrogênio, Densidade eletrônica, Minerais
Prof. Bernardo Lages Rodrigues – Universidade Federal de Minas Gerais

Dia 03/04 – Quinta Feira

10:30 H – Algumas Contribuições da Cristalografia Para a Química Medicinal
Profa. Heloísa de Oliveira Beraldo – Universidade Federal de Minas Gerais

Dia 04/04 – Sexta Feira

10:30 H – Diversidade Estrutural em Magnetos Moleculares Contendo Ligantes Oxamato
Profa. Cynthia Lopes Martins Pereira – Universidade Federal de Minas Gerais

14:00 H – Estrutura Cristalina de Polímeros de Coordenação e Química Reticular
Profa. Renata Diniz – Universidade Federal de Juiz de Fora

O evento ocorrerá no Auditório Aluísio Pimenta e não requer inscrição.

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O bioquerosene de aviação produzido à base de óleos vegetais, tais como óleo de palma e óleo de fritura, vem substituir o querosene de aviação, sendo esse último obtido a partir de uma das frações do petróleo e um dos maiores responsáveis pela grande emissão dos Gases do Efeito Estufa (GEE). É o que propõe o projeto de pesquisa da pós-doutoranda no Departamento de Química da UFMG Claudia Cristina Cardoso Bejan, professora da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), sob a supervisão da professora Vânya Márcia Duarte Pasa, coordenadora do Laboratório de Ensaio de Combustíveis (LEC). “Nossa idéia é desenvolver metodologias para produção do bioquerosene, trazendo este assunto para o meio acadêmico, pois apesar de já existirem vôos experimentais, o conhecimento é restrito a empresas sob forte sigilo”, explica a professora.

Ela conta que os óleos de palma e de fritura foram escolhidos como matérias prima uma vez que “o óleo de dendê tem a vantagem de ser o óleo mais produzido no mundo, ser uma planta perene com 20 a 30 anos de vida econômica e produzir de 5 a 10 vezes mais do que qualquer cultivo comercial de óleo vegetal, além de estar inserido no Programa Nacional de Óleo de Palma. Enquanto isso, o uso do óleo de fritura reduz a emissão do gás metano (um dos GEE) na atmosfera, oriundo de sua decomposição, e através da reciclagem reduz os danos causados por seu despejo indevido. Também é um óleo de baixo custo, o que pode impactar positivamente o produto final.” Na pesquisa, a professora vem utilizando o óleo de fritura do restaurante da UFMG, que já doa o óleo usado a uma empresa.

Atualmente o uso de combustíveis renováveis já vem sendo usado nos transportes terrestres e está se estendendo ao transporte aéreo por ser considerado o maior emissor de GEE devido à crescente demanda de vôos. “O uso de biocombustíveis contribui para diminuir esta poluição”.

O projeto terá o apoio da Refinaria Gabriel Passos, da Petrobrás em Betim, que produz o combustível de aviação, do Programa de Formação de Recursos Humanos em Química de Biocombustíveis do LEC com financiamento da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis e Finep.

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Eleição para diretoria do ICEx, na próxima quinta-feira, dia 10, mobiliza professores, funcionários e alunos

 

Professores, estudantes e funcionários do Instituto de Ciências Exatas (ICEx), participaram no dia 3 de Abril, do debate entre as duas chapas que concorrem às eleições no próximo dia 10, quinta-feira, para a nova diretoria do Instituto. Na Chapa 1, o professor do Departamento de Química Antônio Flávio de Carvalho Alcântara é o candidato a diretor e o professor de Matemática Francisco Dutenhefner é o candidato a vice. A chapa 2 é representada para diretor pelo professor ddo Departamento de Física, José Guilherme Moreira e o vice é o professor do Departamento de Ciência da Computação, Clarindo Pádua.

Durante as três horas de debate, os candidatos apresentaram e explicaram suas propostas para a gestão 2014/2018, e os participantes questionaram e sugeriram mudanças.

Veja as propostas no www.icex.ufmg.br

Onde votar:

 

Dia da eleição:10/04/14 - quinta feira -Horário de08:30 às 21:00 h

Local da Votação:

 

Estarão a disposição do eleitor uma mesa com uma urna em cada departamento do ICEx e três no saguão do prédio, conforme as seguintes especificações:


Mesa 1: Local  Departamento de Física - Votantes: professores e funcionários lotados no Departamento.

Mesa 2: Local  Departamento de Química - Votantes: professores e funcionários lotados no Departamento.

Mesa 3: Local  Departamento de Matemática - Votantes: professores e funcionários lotados no Departamento.

Mesa 4: Local  Departamento de Ciência da Computação - Votantes: professores e funcionários lotados no Departamento.

Mesa 5: Local  Departamento de Estatística - Votantes: professores e funcionários lotados no Departamento.

Mesas 6, 7 e 8 : Local   Saguão do Prédio Central Votantes: funcionários da Administração Central do Instituto, alunos dos cursos de graduação, especialização, mestrado e doutorado do ICEx e todos os alunos votantes, tanto aqueles de cursos sediados no ICEx quanto aqueles de cursos não sediados no ICEx.

 

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 Candidatos a direção do ICEx

 

 

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Ao visitar o Laboratório de Inovação do Departamento da Física do ICEx, o Secretário-Adjunto de Ciência e Tecnologia do Estado, Prof. Evaldo Vilela, conheceu de perto um modelo gigante em aço-inox do fulereno, molécula de carbono com o formato de uma bola de futebol, descoberta pelo Prof. Harold W. Kroto, que visitou recentemente a UFMG, e ganhador do Prêmio Nobel de Química de 1996, juntamente com Robert F. Curl Jr e Richard E. Smalley.

A idéia é instalá-la no Mineirão durante a copa em 2014. Ele falou da importância do projeto para Minas e para a UFMG. “É uma boa estratégia mostrar aos turistas e à mídia internacional o que Minas produz em nanociência e que o Brasil possui tecnologia de ponta.“Tenho muito orgulho da UFMG pelo bom ensino e pelo grande investimento em pesquisas. Ela tem um enorme potencial e o Estado, por meio da Fapemig, vem investindo nos projetos da universidade”, afirmou o Secretário.

Para o professor do Departamento de Física, Eduardo de Campos Valadares, coordenador do Laboratório de Inovação e de programas de divulgação científica em âmbito nacional e internacional voltados para a revitalização do ensino de Física, este é o momento de mostrar o que a universidade produz de melhor e de aproveitar a possibilidade de gerar novas formas de financiamento, além de atrair o interesse da mídia nacional e internacional ao associar futebol com nanotecnologia. “Nosso proposta é instalar o modelo do fulereno numa torre apoiada numa base de cimento com nanotubo de carbono, material desenvolvido pelo Prof. Luiz Orlando Ladeira, do Departamento de Física, em colaboração com a equipe do Prof. José Márcio Fonseca Calixto, do Depto. de Engenharia de Estruturas da Escola de Engenharia da UFMG. “Se conseguirmos financiamento para esta proposta, será uma grande oportunidade de mostrarmos uma parte expressiva da produção científica e tecnológica da UFMG para o mundo, num momento em que os holofotes estarão apontados para nós ”, afirmou Valadares.

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A nova gestão eleita para o período de 2014/2018 do Instituto de Ciências Exatas (ICEx) foram os professores Antonio Flávio de Carvalho Alcântara e Francisco Dutenhefner.

São proposta da nova diretoria estabelecer metas e implementar ações para planejamento, desenvolvimento institucional, políticas acadêmicas, de gestão e de infraestrutura.

“Vamos criar espaços para os membros da comunidade, docente, discente e dos técnicos-administrativos para manifestarem suas opiniões e reivindicações”, explicou o novo diretor Antonio Flávio. De acordo com ele, será elaborado um Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI) de planejamento e gestão, considerando a identidade do ICEx. “Vamos também criar uma Comissão Própria de Auto-Avaliação (CPA) para avaliar o atendimento às necessidades institucionais”.

A infraestrutura física do ICEx é outro fator indispensável para o desenvolvimento das atividades de ensino, pesquisa e extensão. “Pretendemos renovar os ambientes de uso comum como salas de aula, auditórios, espaços de atendimento aos discentes, instalações sanitárias, laboratórios e os espaços de convivência e de alimentação”, informou o vice-diretor Francisco Dutenhefner.

Quem são os novos diretores

O diretor Antonio Flávio de Carvalho Alcântara é professor Associado IV do Setor de Química Orgânica do Departamento de Química do ICEx e bolsista de Produtividade do CNPQ. Pós-doutor em Química Orgânica, é doutor em Ciências e Mestre em Química Orgânica. Atualmente é membro do Comitê de Assessoramento da Sociedade Brasileira de Química e foi chefe do departamento de Química.

O vice-diretor Francisco Dutenhefner é professor Associado II do Departamento de Matemática do ICEx, mestre pela Universidade de São Paulo e doutor em Matemática pela UFMG. É coordenador do Colegiado do curso de Graduação em Matemática e participa da coordenação da OBMEP ( Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas).

 

Para ver o resultado detalhado clique aqui

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 Prof. Chico (matemática) e Prof. Antônio Flávio (Tininha - química)

 


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Gustavo Catão  ex-aluno do Departamento de Física

 

“A exploração de petróleo vem ganhando destaque cada vez maior com o pré-sal e a Geofísica é um mercado em expansão. Nosso projeto é trazer para a Ufmg um pouco desta cultura”. A afirmação foi do geofísico do Centro de Pesquisa da Petrobrás, Gustavo Catão, ex-aluno do Departamento de Física do ICEx, no workshop em Geofísica, realizado no dias 19 a 23 de Março, na UFMG. “Se na década de 80 este profissional teve uma grande procura no mercado de petróleo, novamente ele está sendo solicitado”, confirmou o geofísico.

Com a participação de outros geofísicos da Petrobrás foram apresentados temas como Aquisição Sísmica Terrestre, Geofísica de Rochas, Métodos potenciais, Migração e Imageamento e Geofísica de Reservatórios Para o coordenador do curso de graduação da Física, Fernando Augusto Batista, esta é a primeira parceira com a Geologia e a Petrobrás. “O objetivo também é divulgar para os alunos o que se faz em Física, Geofísica e Geologia na Petrobrás. É um outro mercado de trabalho que estamos apresentando aos alunos”.

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Casos de espionagem na internet vem se tornando rotina, principalmente nos governos, como foi denunciado pelo ex-técnico da CIA Edward Snowden de que o governo americano espionava vários países pela internet, inclusive a presidente do Brasil, Dilma Rousseff, gerando crise para Obama. Até que ponto estamos seguros? o que fazer? Estes são alguns destaque da palestra "Entendendo as revelações de Snowden:
como os Estados Unidos hackearam a internet", com o  professor do departamento de Ciência da Computação do ICEx, Jeroen Van de Graaf, no dia 16 de  Abril, quinta-feira, 15 horas, no auditório III do Instituto.

"Com a chegada da internet e outras tecnologias digitais em nossa vida, nos tornamos vulneráveis a brechas de segurança e invasões de nossa privacidade. As revelações de Snowden mostram que o governo americano,em cooperação com seus aliados,aproveitou destas brechas para criar a maiororganização de hackers no mundo: a NSA(National Security Agency), afirmou.

 

Entenda as revelações de Snowden

O ex-técnico da CIA Edward Snowden, de 29 anos, é acusado de espionagem por vazar informações sigilosas de segurança dos Estados Unidos e revelar em detalhes alguns dos programas de vigilância que o país usa para espionar a população americana – utilizando servidores de empresas como Google, Apple e Facebook – e vários países da Europa e da América Latina, entre eles o Brasil, inclusive fazendo o monitoramento de conversas da presidente Dilma Rousseff com seus principais assessores.Procurado pelos Estados Unidos, ex-técnico da CIA obteve asilo da Rússia e, atualmente, acredita-se que ele se encontra na América Latina.
Caso gerou crise para o governo Obama.

 

Privacidade

Na palestra serão definidos temas como ciberguerra, cibersabotagem, e cibervigilância.Também serão contextualizados e detalhados
as revelações de Snowden e as suas implicações,por exemplo, quanto à questão da privicade do (ciber)cidadão e a soberania nacional.
A palestra é destinada à comunidade da UFMG e ao público em geral, não exigindo qualquer tipo de conhecimento prévio.

Jeroen van de Graaf é pesquisador em criptografia quântica cursada em Montreal, Canadá, assuntos de interesse incluem protocolos com segurança incondicional para computação ubíqua (RFID, sensors, smart phones, cloud); sistemas e protocolos de votação pela internet; protocolos baseados no ruído quântico, e outras técnicas para aumentar a privacidade. Em agoste de 2008 ele tomou posse como professor adjunto na Universidade Federal de Ouro Preto, e desde março de 2011 ele está na Universidade Federal de Minas Gerais.

Veja mais

 

 

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O projeto de pesquisa que envolve a utilização de imagens digitais obtidas em um scanner para a quantificação de corantes em bebidas e alimentos propiciou o desenvolvimento de métodos analíticos mais baratos, rápidos e limpos. Este é o tema de um projeto de pesquisa desenvolvido no Departamento de Química do Instituto de Ciências Exatas, ICEx, da Universidade Federal de Minas Gerais, com os alunos Luciana de Paula Assis, de Mestrado, Kele Cristina Ferreira Dantas, e de Doutorado, Bruno Gonçalves Botelho, orientados pelo professor Marcelo Martins de Sena.

Corantes sintéticos em alimentos

Os corantes sintéticos são usados como aditivos na indústria alimentícia para melhorar a qualidade estética de alimentos e bebidas, mantendo ainda sua cor natural durante o processamento ou estocagem. Estes corantes artificiais são preferidos em relação aos naturais, que se degradam mais facilmente e causam descoloração do produto. Os corantes artificiais são muito utilizados em produtos como balas, chicletes, sorvetes, sucos e refrigerantes. Apesar da ampla utilização, diversos estudos têm associado o consumo destas substâncias com vários problemas de saúde, como crises de asma, alergias e imunossupressão.

“ No Brasil, a ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), agência governamental encarregada do controle de alimentos industrializados, limita o uso desses corantes a 0,01g/100g de alimento, e existem discussões que sugerem a diminuição deste limite. Daí, a importância dos métodos analíticos para medir o teor desses corantes em alimentos e bebidas” explica o professor Marcelo, lembrando ainda que os métodos oficiais (baseados em cromatografia e espectrofotometria UV/vis), apesar de eficientes, apresentam desvantagens, como consumo de grande quantidade de amostra, uso de solventes orgânicos, geração de resíduos e tempo elevado de análise. As imagens são mais baratas, rápidas e simples .

“Uma vez que a principal finalidade do uso dos corantes artificiais é fornecer uma cor característica ao produto, mesmo em pequenas concentrações, o uso de imagens digitais foi considerado uma opção promissora para a análise deste tipo de substância, apresentando vantagens como rapidez na análise e baixo custo de equipamentos” afirma o aluno de doutorado Bruno Botelho, detalhando que, como os métodos usados atualmente são mais demorados e caros, este projeto permite sua automatização, diminuindo a intervenção do analista.

“ Há também baixo custo da instrumentação. Enquanto um simples scanner de escritório usado neste trabalho custa cerca de R$100 reais, instrumentos convencionais, como

um espectrofotômetro, custam em torno de R$ 20mil”,completa. Este projeto foi financiado pelo Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Bioanalítica (INCT – Bio, CNPq), do qual o Prof. Marcelo M. Sena faz parte. Além disso, a aluna de iniciação científica Luciana P. Assis foi bolsista do projeto Pró-Noturno, da Pró-Reitoria de Graduação da UFMG.

 

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Professor Marcelo e os alunos Kele Cristina, Bruno , Leandro e Karen

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Agência de Notícias da UFMG


“Talvez o caso do Snowden acorde a comunidade para o fato de que alguma coisa importante está acontecendo e temos que dedicar mais tempo e energia à questão da segurança cibernética”, afirma o professor Jeroen van de Graaf, do Departamento de Ciência da Computação (DCC) da UFMG, que fez palestra ontem no campus Pampulha. Ele se refere às denúncias do americano Edward Snowden sobre atividades de espionagem da agência americana National Segurity Agency.

Nesta entrevista ao Portal UFMG, o pesquisador, que tem formação em matemática com doutorado em criptografia (técnicas matemáticas para proteção de informação) no Canadá, afirma também que o Brasil está vulnerável ao que ele chama de cibersabotagem e defende a criação no país de um centro de pesquisas sobre segurança digital.

Que mudanças provocam as revelações de Edward Snowden sobre as atividades da NSA, especialmente com relação à privacidade de pessoas físicas e à segurança de informações de instituições e governos?

Uma forma de ver essa questão é a seguinte: adoramos a internet, mas ela é muito insegura. A internet não foi projetada com foco em segurança. Quinze, 20 anos atrás o desafio era deixar as coisas funcionarem. Segurança ficou para depois. As revelações de Snowden mostraram que a gente realmente vai ter que se preocupar com segurança e privacidade.

Na verdade, eu sempre falei desse assunto. Agora, de certa forma, confirmou-se que as minhas preocupações eram justificadas. Temos que discutir o que fazer. Não se trata apenas do que o Snowden denunciou. Muitas empresas também não estão respeitando nossa privacidade, isso vai contra o modelo de negócios deles. Os provedores de email são de graça porque através dos nossos dados pessoais eles conseguem fazer propaganda dirigida. Ou seja, a privacidade do cibercidadão está muito ameaçada. Muitas pessoas vão ao supermercado e preenchem dados para concorrer a um DVD. Todo mundo fornece dados pessoais para empresas por bobagens. Essa é outra questão. Talvez possa haver outro serviço de email que respeite nossa privacidade, mas que cobre algo por isso. Se o usuário não quer propaganda, paga 50 reais por ano, algo assim. Uma empresa na Suíça, Threema, garante privacidade para uma aplicação equivalente ao What’s App e cobra quatro reais para se ter uma conta. Não é muito dinheiro, mas será que vai pegar? Elas usam tecnologia de ciframento mais sofisticado.

O senhor tem se dedicado a fenômenos como a ciberguerra, o cibermonitoramento...


Dois anos atrás ministrei uma disciplina sobre segurança digital aqui na UFMG e comecei a estudar essas questões. Entrei recentemente na Universidade, queria entender o que é ciberguerra. Surgiram várias coisas que eu não sabia. Por exemplo, um vírus de computador supersofisticado, chamado Stuxnet. Foi descoberto por uma empresa antivírus, mas levou muito tempo até que fosse decifrado. Ele só atacava determinados computadores, em particular com Windows, no Oriente Médio. O vírus se multiplicava por pen drives. Quando o computador estava conectado à internet, havia a comunicação com o centro de comando para mais instruções, para ser reprogramado.

Descobriu-se que o objetivo do vírus era primeiro infectar no Windows para depois infectar equipamentos específicos da Siemens. E esses equipamentos eram usados para enriquecimento de urânio. Ou seja, foi um ataque contra o programa nuclear do Irã. Este foi um exemplo muito claro, talvez o primeiro exemplo de vírus usado para objetivos estratégicos de um país. Não está assinado, mas todo mundo sabe que foi uma cooperação entre Israel e Estados Unidos para atingir o Irã. É o primeiro exemplo clássico da ciberguerra.

E a cibersabotagem?

Toda a nossa infraestrutura crítica está conectada à internet. Uma usina de eletricidade, de água, equipamentos de telecomunicações. Por exemplo, fiquei sabendo de fontes confiáveis que o apagão de três anos atrás no Nordeste foi causado por hackers. Eles teriam invadido algumas centrais de controle de eletricidade e o resultado foi o apagão que parou alguns estados do Nordeste durante uma noite inteira. Então, você pode imaginar que isso seja uma arma de guerra. Outro exemplo: a Estônia foi atacada provavelmente por russos protestando contra o tratamento à sua comunidade naquele país. A internet na Estônia parou completamente por um dia. As pessoas estavam fazendo homebanking e tiveram medo que seu banco tivesse quebrado. O ataque criou grande pânico. A cibersabotagem é uma parte da guerra, assim como outras formas de sabotagem antes das tecnologias mais modernas.

Eu acho preocupante porque o Brasil está muito vulnerável. Não seria difícil derrubar grande parte de serviços críticos no Brasil. Se conseguem parar eletricidade, água e telecomunicação de um país, nem é preciso mandar o exército. Todo mundo fica preocupado simplesmente em sobreviver.

O que pode ser feito para diminuir essa vulnerabilidade?

Foi criada uma entidade do Exército brasileiro, CD Ciber, responsável por estudar esse tipo de possibilidade, avaliação de riscos e contramedidas. Mas é processo demorado. Os Estados Unidos começaram antes por causa do 11 de Setembro.

Onde entram a pesquisa e as universidades? A pesquisa já está se aplicando de alguma forma a essa preocupação?

Não tanto que eu gostaria. O DCC tem agora dois professores, eu e o Leonardo Barbosa, da área de criptografia. Estamos criando um grupo de pesquisa chamado Segurança Digital, Criptografia e Privacidade aqui na UFMG. Faço parte também de um projeto de comunicação segura usando óptica quântica. É uma colaboração da Física, Engenharia Elétrica e Computação. Talvez o caso do Snowden acorde a comunidade para o fato de que alguma coisa importante está acontecendo e que temos que dedicar mais tempo e energia à questão da segurança cibernética.

Há outros grupos em universidades brasileiras?

É precário no Brasil, tudo está começando. E acho que se abre uma janela de oportunidade na UFMG. Podemos pegar esse nicho, mas precisamos ter um plano, recursos, para ocupar esse espaço. É preciso dizer que segurança hoje é muito abrangente. Para entrar nos detalhes, é preciso conhecer sistemas operacionais, linguagens de programação, matemática, protocolos de redes etc. Luxemburgo tem uma universidade em que metade da estrutura é dedicada a temas em torno dessa questão. Na Alemanha, no Center of Advanced Security Darmstadt são 50 pessoas só estudando segurança. O Brasil precisa disso, de um centro desse tipo. Não apenas um projeto do Exército, que tem uma visão particular, muito válida. Precisamos construir algo para se somar a iniciativas como a do Exército.

Como a NSA espiona pessoas e países?

O papel da NSA é grampear e fazer escutas nas telecomunicações no mundo. Os programas que eles têm relacionados à internet são muito mais abrangentes, mais poderosos do que foi pensado antes. Eles têm especialistas, equipes que são capazes de fazer um vírus para esse meu celular, e para qualquer equipamento. Outro ponto é que a agência obrigou empresas como a Google a repassar dados, inclusive emails. Se você manda uma mensagem, o governo americano tem uma cópia.

Por que essas empresas aceitam?

Elas não têm escolha, são obrigadas pela lei a cooperar. E há uma ordem de sigilo, elas nem podem divulgar que são obrigadas a fazer isso. Além disso, a NSA estava espionando as conexões entre os vários data centers da Google e Yahoo! no mundo. Na verdade, estas empresas foram atingidas pelo governo de duas maneiras distintas: pelo caminho judicial e por meio de grampo.


Como agiu o Snowden?

Ele conseguiu 58 mil documentos internos da NSA, todos confidenciais, que comprovam a atuação da agência. Ele era contratado terceirizado, administrador de rede. Tinha privilégios de acesso, e deve ter feito também algum tipo de hackeamento para não ser descoberto, porque obviamente os empregados são rastreados pela NSA. Foi uma falha de segurança incrível, como é possível um terceirizado ter acesso a tantos documentos? O Snowden é brilhante, não há dúvidas. Muito poucos teriam conseguido fazer o que ele fez. Ele enfrentou o governo americano e por enquanto está se dando bem.

Qual foi a motivação dele?

Acho que ele só teve motivações nobres. O que me impressiona é que a maioria das pessoas não seria capaz de lidar com tanta pressão. Ele diz que realmente defende a Constituição dos EUA e a liberdade de expressão. Só quis mostrar aos concidadãos que o governo americano está fazendo algo que não é legal, não é do interesse do povo. Pelo menos os americanos deveriam saber mais sobre o que estava acontecendo para poder tomar uma decisão. O governo oculta tantas informações que o Senado não tem como fazer controle efetivo sobre o que fazem as agências secretas. Acho que ele não fez pelo dinheiro, se fosse assim não teria vindo a público da forma que fez. Poderia ter vendido todos os documentos de forma secreta para a Rússia ou a China. E estaria milionário. Deu todos os documentos para jornalistas de confiança para divulgarem o que achassem que deviam. Ele não tem mais os documentos, estou completamente convencido disso. Por isso, o governo da Rússia não pode obrigá-lo a entregar os documentos.

Que áreas de estudo estão mais envolvidas com a questão da segurança da internet?

O principal é segurança de sistemas, e as redes. Porque um computador isolado pode ser invadido, mas alguém tem que ir lá e fazer alguma coisa. Se todo mundo está conectado, as coisas ficam mais complexas e perigosas. O que a gente tem? Redes, dezenas de tipos de redes, wi-fi, os cabos de rede fixa. Temos também uma explosão de smartphones, sistemas como o Android, cada plataforma tem possibilidades de invasão diferentes. O núcleo seria redes, plataformas digitais, e mais para o lado da engenharia também pode-se pensar nos sistemas de controle. O conjunto de sistemas de controle das usinas fica tradicionalmente mais na Engenharia que na Computação.

Tudo indica que na verdade o que foi atacado não foi a criptografia, a matemática. Essa parte está em grande parte de pé. Nossa dificuldade hoje é qualidade de software. Todo programa tem furos de segurança. Se você sabe onde está o furo, é possível invadir o sistema. Fico mais preocupado porque a longo prazo, daqui a 25 anos, não vejo que a qualidade dos softwares vai melhorar.

Por quê?

Os sistemas estão muito complexos, há muita gente trabalhando nisso, mas você tem programas que têm um milhão de linhas de códigos, ninguém é capaz de verificar isso. E as ferramentas também deixam as coisas passarem. Na semana passada, por exemplo, foi descoberto um novo problema de segurança, com o software que está sendo usado por 60% dos servidores web do mundo. É um furo muito grave. Aquele protocolo, HTTPS, que manda para sites seguros, em que aparece o cadeadinho e sua conexão é cifrada, parece que conseguem invadir essa conexão.

É preciso saber que todo produto americano ou britânico está hackeado. Não se deve confiar em hardware e software estrangeiro. Os países latino-americanos deveriam cooperar mais para encontrar suas próprias soluções

Que outras lições o senhor tira desse episódio desencadeado pelo Edward Snowden?

Estou há 30 anos nesse campo de pesquisa. Conheço a NSA há 30 anos, acho que eles devem ter um dossiê sobre mim, simplesmente pelo fato de que sou pesquisador na criptografia. Eles sempre mandavam alguém para os congressos, só para escutar. Aliás, acontecia comigo na Holanda, quando participava de grupos de estudos, e sempre tinha duas ou três pessoas do Exército da Holanda, nunca falaram nada. Faz parte. A NSA foi criada durante a Guerra Fria, a criptografia foi peça-chave tanto durante a primeira guerra quanto na segunda.

Um aspecto interessante é que os Estados Unidos sempre acusavam os chineses de fazer espionagem industrial, hackeavam os sites do governo e empresas americanas. Era um aspirador de pó que chupa todos os documentos e manda para a China. Duas semanas antes de estourar o caso do Snowden, o premier chinês estava em Washington e havia um atrito. E ficamos sabendo que a NSA faz a mesma coisa, ou dez vezes pior.

Toda essa discussão leva inevitavelmente à questão da democracia...

A democracia americana está em xeque. O governo americano usa tribunais secretos que usam critérios secretos de avaliação. Uma empresa pode ser obrigada a dar as cópias dos seus dados para governo, e não pode falar com ninguém. Apenas o governo pode argumentar a favor, mas a outra parte não pode. Comitês do senado deveriam supervisionar o trabalho das agências, mas é tudo segredo e não se sabe o que se deve perguntar para fazer essa supervisão. É kafkiano.

As revelações de Snowden mostram que as agências de inteligência dos Estados Unidos querem dominar a internet, no próprio país e no mundo inteiro. Para tanto, eles usam toda técnica possível para grampear todas as telecomunicações no mundo inteiro, e são capazes de invadir qualquer sistema computacional. Ou seja, ninguém tem privacidade, você está sendo tratado como se fosse um suspeito, sem direitos. A justificativa é poder rastrear as comunicações de terroristas. Mas um tal sistema de vigilância da população pode facilmente ser usado para reprimi-la, o sistema pode se virar contra ela. Por este motivo, a população deve saber o que está acontecendo para que haja um debate sobre a desejabilidade deste tipo de vigilância e a noção de privacidade no século 21.

 

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José Carlos da Silva Oliveira é professor de Física da Universidade Federal do Acre e há dois meses é visitante do Instituto de Ciências Exatas (ICEx), da UFMG. Simpático e sorridente, ele conta que veio testar alguns catalizadores para a instalação de uma central de nanotubos na universidade do Acre. “ O ICEx é o maior centro de excelência de nanotubos da América Latina”, afirmou.

De acordo com o professor, no departamento de Física, ele aprendeu mais do que o esperado. “Novas técnicas como ajustar o catalizador, conhecimento das formas, ajuste de gases e uma grande variedade da aplicação do nanotubos em várias áreas foram muito importante para levar para a universidade do Acre” .

Nanotubo no vegetal

E como anda a pesquisa de nanotubos no Acre? De acordo com José Carlos, a universidade esta iniciando pesquisas na área . “ Estamos iniciando um projeto de cultura de tecido vegetal com a aplicação dos nanotubos de carbonos para verificar os efeitos de toxicidade , para acelerar o processo do crescimento das plantas e a quebra de dormência de sementes das plantas”, explica o professor completando que estes métodos são importantes para as plantas em processo de extensão.

Belo Horizonte é uma cidade acolhedora

Encantado com a receptividade dos mineiros, o professor conta que sua estadia na cidade foi muito boa. “Além do carinho das pessoas, o departamento de Física oferece um ótimo ambiente de trabalho. Desde os laboratórios, aos professores e coordenadores”, elogia lembrando que, infelizmente, no mês de Maio ele precisa retornar à sua cidade.

 

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