Professor da Química participa de pesquisa que testa substância do ipê-roxo em remédio contra câncer de próstata

A pesquisadora Cláudia do Ó Pessoa (a última à direita) e equipe da Universidade Federal do Ceará

Um projeto, desenvolvido em parceria entre pesquisadores da UFC (Universidade Federal do Ceará) e da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), criou uma substância análoga à beta-lapachona, encontrada em árvores de ipê-roxo com menor toxicidade. Na UFMG a pesquisa foi liderada por Eufrânio Nunes Silva Júnior, do Departamento de Química do ICEx. Também participam Eduardo Henrique Guimarães Cruz, da Universidade Federal de Santa Catarina, e David A. Boothman e Molly Silvers, da Universidade do Texas.

De acordo com Cláudia do Ó. Pessoa, doutora em farmacologia pela UFC e uma das autoras do projeto, os principais problemas apresentados pelos medicamentos disponíveis no mercado estavam relacionados à resistência que as células tumorais desenvolvem ao longo do tratamento e os efeitos colaterais, que muitas vezes impedem a pessoa de continuar recebendo a terapia. As pesquisas com plantas da biodiversidade brasileira visam encontrar soluções para esses dois problemas.

A toxicidade da beta-lapachona e, consequentemente, os efeitos colaterais que ela pode causar foram dribladas com a associação do selênio, que ajudou a poupar as células normais e atingir apenas as células tumorais. Os testes foram feitos in vitro e ainda precisam ser validados em animais.

A pesquisa foi finalista na categoria inovação tecnológica em oncologia da edição 2019 do prêmio Octavio Frias de Oliveira, uma iniciativa do Icesp (Instituto do Câncer do Estado de São Paulo Octavio Frias de Oliveira), em parceria com o Grupo Folha. A patente foi registrada nos EUA com ajuda da Universidade do Texas. 

A pesquisa sobre o ipê-roxo é apenas uma das desenvolvidas por Pessoa e seus colegas nos laboratórios da UFC. Desde 2000 já foram estudadas cerca de 50 espécies de plantas de biomas como caatinga, cerrado e mata atlântica, com potencial analisado de mais de 10 mil moléculas. Outra árvore, o jacarandá-do-litoral (Platymiscium floribundum), encontrada principalmente no Ceará e na Bahia, tem sido investigada pelo mesmo grupo de pesquisadores para outra doença, a síndrome mielodisplásica (SMD). Ela atinge a medula, principalmente de pessoas acima de 60 anos de idade ou expostas a agrotóxicos. O avanço da doença levar à leucemia mieloide aguda.

Última modificação em Segunda, 21 Outubro 2019 20:15